29 de janeiro de 2010

Movimentos Sociais repudiam prisão do coordenador do MST em Santa Catarina

Uma entrevista coletiva convocada pela direção do MST, realizada na tarde de hoje na sedo do Sindicato dos Bancários (foto) em Florianópolis, acabou se transformando num ato de repúdio dos movimentos sociais contra a prisão, de forma arbitrária, do coordenador do movimento, Altair Lavratti ontem à noite (28) em Imbituba.
A prisão realizada pela Policia Militar a pedido do Ministério Público aconteceu durante uma reunião com catadores de Papel da cidade. Lavratti foi detido por “formação de quadrilha”, acusado de preparar uma ocupação de terras na região. Foi encaminhado ao presídio de Tubarão, onde ficou incomunicável até a manhã de hoje.
Também foram presos, Marlene Borges, presidente da Associação Comunitária Rural, grávida de três meses e Rui Fernando da Silva Junior. Os advogados do movimento já entraram com um pedido de habeas-corpus e a libertação é aguardada para as próximas horas.
A ação da polícia e do MP teve objetivo de evitar uma suposta tentativa de invasões pelo MST de área pública na cidade, a Zona de Processamento de Importações. O suposto plano de invasão foi negado pela coordenação do movimento. A ZPE está em estado de abandono e é alvo de interesses de empresários da região. O Ex-deputado Afrânio Boppré informou que a terreno de propriedade da união foi repassado ao estado que por sua vez o repassou a prefeitura de Imbituba, o que é ilegal.
Diversas entidades, parlamentares e lideranças dos movimentos sociais lotaram o auditório onde aconteceu a coletiva e se revezaram condenando a ação de criminalização dos movimentos sociais promovida pela polícia e pelo poder público do Estado. O MST considerou a ação descabida e autoritária e as acusações mentirosas. Condenou ainda a forma orquestrada com que os movimentos sociais estão sendo atacados em todo o país.
De acordo com informações publicadas no Diário Catarinense, o juiz Fernando Seara Hinckel teria autorizado gravações telefônicas e determinado a intervenção do Ministério Público no caso. Também teria havido a participação de P-2 (policiais a paisana, disfarçados) infiltrados nas reuniões dos militantes sociais da região de Imbituba.
Durante a coletiva de hoje o Deputado Sargento Soares questionou a atuação da polícia disfarçada. Segundo ele, esses policiais existem para investigar casos de suspeitas de corrupção praticada por policiais e não pra investigar a sociedade, o que é ilegal. Foto: Josemar Sehnem Leia também artigo da Jornalista Elaine Tavares.

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