31 de maio de 2013

CNJ investiga participação de magistrados em curso em Orlando

O Conselheiro Gilberto Valente Martins do Conselho Nacional de Justiça deferiu pedido formulado pela Federação Nacional dos Servidores do Judiciário nos Estados – FENAJUD e determinou que todos os Tribunais de Justiça do país informem se enviaram magistrados para participar de curso de segurança pessoal, ministrado no exterior.

 A FENAJUD ingressou como parte interessada no PCA n. 0001760-57.2013.2.00.0000 originado pelo Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Maranhão - Sindjus/MA requerendo providências quanto ao pagamento de passagens e diárias a magistrados do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão para participar de curso de defesa pessoal fora do país.

 De acordo com o relatado pelo Sindjus/MA na petição inicial, o judiciário Maranhense aprovou o envio de um grupo de juízes aos EUA, a fim de participar do curso “Sistemas e Técnicas de Segurança Aplicadas ao Poder Judiciário” em Orlando na Flórida, conhecida mundialmente por seus parques temáticos.

 O referido curso de segurança pessoal denominado “Judicial Swat”, é ministrado pela empresa americana US POLICE INSTRUCTOR TEAMS (US-PIT), com sede na Red Rose Cicle, 142, Cidade de Orlando, Estados Unidos da América. O primeiro grupo já participou do curso em Orlando no período de 01 a 05 de abril deste ano.

 O Conselheiro determinou ainda que os Tribunais de todo o país informe se os magistrados e servidores participaram de qualquer outro curso semelhante, realizado no exterior. Bem como, informem também em que momento se deu o envio, quais as motivações para fazê-lo e a quantidade de juízes ou servidores enviados. A determinação do Conselheiro Gilberto Valente Martins foi publicada no dia 22 de maio e os tribunais têm o prazo de 15 dias para atendê-la.

 Notícia no site do TJMA confirma o envio de pelo menos 40 magistrados, entre desembargadores e juízes criminais, inclusive aqueles que já sofreram algum tipo de ameaça. De acordo com o texto, o curso - com tradução simultânea - foi ministrado por policiais da ativa da SWAT, unidade de polícia altamente especializada, formada por policiais equipados e treinados para reduzir risco associado a uma situação de emergência.

 Uma das participantes, a juíza auxiliar da Corregedoria, Márcia Coelho Chaves, ressalta a importância do curso para os magistrados: "Nós tivemos a oportunidade de vivenciar experiências que jamais poderíamos experimentá-las aqui. Foi um curso único, grandioso. Cada magistrado voltou com uma mentalidade diferente, não só a título de segurança pessoal, mas institucional", afirma.

 Veja o despacho:

 Vistos, etc.

Trata-se de requerimento avulso formulado pela Federação Nacional dos Servidores do Judiciário nos Estados - FENAJUD.

A entidade pleiteia seu ingresso no feito como parte interessada.

Alega que o tema objeto do PCA n. 0001760-57.2013.2.00.0000 consiste em matéria de interesse geral da categoria que representa, podendo, desta feita, gerar efeitos aos seus associados, inclusive em outros estados da federação. Ressalta que situação semelhante à relatada pelo requerente na inicial já foi identificada no Estado do Rio de Janeiro.

Por fim, requer a intimação de todos os Tribunais de Justiça do país, para que informem se enviaram juízes ou servidores para participarem de curso de segurança pessoal semelhante ao noticiado na peça inicial, realizado no exterior, bem como que informem em que momento e quais as motivações para fazê-lo.

É o breve relato. Decido.

Defiro o ingresso da entidade requerente acima identificada como interessada.

Outrossim, defiro o seu pleito referente à intimação de todos os Tribunais de Justiça do país, a fim de que informem se enviaram juízes ou servidores de seu quadro de pessoal para participação em curso de segurança pessoal, denominado “Técnicas e Sistemas de Segurança Aplicáveis ao Poder Judiciário” – realizado em Orlando – EUA, ministrado pela empresa americana US POLICE INSTRUCTOR TEAMS (US-PIT), com sede na Red Rose Cicle, 142, Cidade de Orlando, Estados Unidos da América – ou em outro curso semelhante, realizado no exterior. Bem assim, informem em que momento se deu o envio, quais as motivações para fazê-lo e a quantidade de juízes ou servidores enviados.

Prazo de 15 (quinze) dias.

Aguarde-se as informações a serem prestadas pelos Tribunais de Justiça do país. Após, nova conclusão.

À Secretaria Processual para providências.

Brasília, 22 de maio de 2013.

 GILBERTO VALENTE MARTINS

Conselheiro

29 de maio de 2013

Entidades criam mapa da violência contra a blogosfera


Os blogs e as redes sociais são um fenômeno novo no Brasil, mas já estão incomodando os poderosos. Muitos blogueiros e ativistas digitais têm sofrido perseguições, violências e processos judiciais. Governantes, empresários e barões da velha mídia não toleram a verdadeira liberdade de expressão e querem calar a blogosfera. Não dá para ficar calado frente a estas ações autoritárias.

Diante deste cenário preocupante, a organização não governamental Artigo 19 e o Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé firmaram uma parceria com o objetivo de levantar dados concretos sobre as violências em curso no país. Os dados serão coletados durante os meses de maio e junho e serão checados logo na sequência.

Com base no resultado dos questionários, documentos serão encaminhados aos organismos nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão. Participe desta ação. Faça a sua denúncia.

28 de maio de 2013

Santa Catarina sedia evento nacional em defesa do SUS

 
Florianópolis vai sediar de 07 a 09 de junho no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) o IV Seminário da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde em defende o Sistema Único de Saúde - SUS público e para todos. A programação do evento discute os novos modelos de gestão e privatização do SUS, a privatização da saúde na América Latina, os planos privados de saúde e os impactos do capitalismo na saúde.
A programação do seminário contempla ainda uma reunião da Frente Nacional contra as privatizações da saúde e pelo menos 10 reuniões de comissões que discutem vários assuntos, entre eles os modelos privatizantes, o SUS e a saúde do trabalhador, o controle social e a questão da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) A programação completa está no final da matéria.

Inscrições podem ser feitas no Blog forumcatarinense.blogspot.com.br clicandoAQUI

A Frente Nacional contra a privatização da saúde é composta por diversas entidades, fóruns de saúde, movimentos sociais, sindicatos, centrais sindicais, partidos políticos e projetos universitários com o objetivo de defender o SUS público gratuito para todos com a administração direta do Estado e lutar contra a privatização da saúde.

Surgiu por conta e em torno da Ação Direta de Incontituicionalidade (ADI) contrária a lei que cria as Organizações Sociais (OS), ação esta que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) desde 1998.

As OS funcionam a partir da abertura de edital pelos Governos Estaduais para a contratação de uma empresa privada para administrar um hospital público. Essa empresa recebe dinheiro e infraestrutura física e profissional do Estado e tem autonomia para decidir o futuro do hospital, inclusive abrir as portas para convênios privados diminuir o quadro de trabalhadores e comprar materiais sem licitação.

As OS também podem priorizar o lucro em vez da vida e deixar de lado os princípios defendidos pelo SUS, maior sistema de saúde publica do mundo e custeado com dinheiro público.

Em Santa Catarina, os trabalhadores da saúde travaram várias lutas em defesa da saúde 100% pública. Uma delas foi a garantia da administração da UFSC que administra o Hospital Universitário de não contratar a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) sem um amplo debate com a comunidade que utiliza o serviço.

27 de maio de 2013

Convenção de Solidariedade a Cuba

 
Nesta terça-feira, dia 28 de maio, às 19h, na sede do SINJUSC, na Avenida Mauro Ramos, 448 em Florianópolis acontece a etapa estadual da Convenção de Solidariedade a Cuba. Esse encontro é preparatório para Convenção Nacional, que acontecerá em Foz do Iguaçu nos dias 14 a 16 de junho, sob responsabilidade do CEBRAPAZ/PR.

Aqui no estado a Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba está sendo organizada em conjunto pelo CEBRAPAZ/SC e a Associação Cultural José Marti. Contará com a presença do representante comercial do governo Cubano em São Paulo e discutirá as ações de solidariedade à ilha para os próximos 12 meses. Também debaterá um documento de apoio à vinda dos médicos cubanos para o Brasil.

16 de maio de 2013

Segunda etapa do Seminário "Pensando Florianópolis" será hoje com o tema "O Processo de Elaboração do Plano Diretor"

No dia 16 de maio, a partir das 18h30, acontece a segunda etapa do seminário promovido pela Fundação Maurício Grabois. O evento busca construir uma opinião avançada e unificada sobre os vários aspectos da cidade de Florianópolis e capacitar a militância acerca das diretrizes do Estatuto das Cidades e questões urbanas.

Essa etapa tem como tema “O Processo de Elaboração do Novo Plano Diretor” de Florianópolis. O primeiro painelista será o ex-presidente do Instituto de Planejamento de Florianópolis – IPUF - e delegado da Polícia Federal, Ildo Rosa, que apresentará o “Histórico do processo do Plano Diretor Participativo – PDP -, visão do Poder Público, dificuldades”.

Na sequência teremos o representante distrital de Ratones no Plano Diretor de Florianópolis, engenheiro Flávio Demori que falará da “Visão da comunidade e os principais conflitos”.

Já o arquiteto urbanista, Edson Catoni, abordará a “Metodologia do Plano Diretor Participativo, suas polêmicas e as experiências de outras cidades”.

O último painelista será o arquiteto e professor da UFSC e diretor de planejamento do IPUF, Eduardo Castels, que tratará das “Perspectivas e visão da atuação da direção sobre o plano diretor”.

O Seminário Pensando Florianópolis, A Cidade que Queremos se encerra no dia 25 de maio com o debate Construindo Diretrizes Sobre a Cidade que Queremos, com a sistematização e encaminhamentos.

Quem não pode participar da primeira etapa também pode se inscrever para as outras duas. As inscrições podem ser feitas através do telefone (48) 3364 4865. O seminário acontece no auditório do Sinjusc _ Sindicato dos servidores no Poder Judiciário Estadual.

14 de maio de 2013

Documentário "Dossiê Jango" será exibido em Balneário Camboriú

Como parte da programação do 6º Congresso do SINJUSC que acontece de 05 a 08 de junho no Hotel Marambaia em Balneário Camboriú está confirmada a presença do filho do ex-presidente do Brasil João Goulart durante uma sessão especial do filme “Dossiê Jango”, documentário lançado no ano passado. A sessão de cinema e a presença do poeta, empresário e presidente do Instituto Presidente João Goulart, João Vicente Goulart, será na sexta-feira 7 de junho e ocorrem num momento muito importante para a história do Brasil.

O lançamento do Dossiê Jango, em meados de 2012, motivou uma série de ações em busca de provas de que Jango foi executado na Argentina, durante o exílio por conta da ditadura militar de 1964. Os jornais impressos e os distribuídos pela internet, nas últimas semanas, dão grande destaque ao assunto. No Diário Catarinense da quinta-feira, 9 de maio, matéria ocupa quase uma página para tratar da exumação do corpo de Jango por peritos estrangeiros.

A participação de João Vicente no Congresso do SINJUSC e a possibilidade de assistir o Dossiê Jango inserem os trabalhadores do Poder Judiciário de Santa Catarina em um assunto muito importante para toda a sociedade brasileira, que é a necessidade de o Estado resguardar as amplas liberdades das pessoas, e entre elas, as ideias políticas e partidárias.

As conversações com João Vicente para uma sessão de cinema com o Dossiê Jango iniciaram na mesma semana do lançamento do filme, em setembro do ano passado. Por conta de impossibilidades de datas, o filme não pôde ser mostrado no Auditório do Sindicato.

A exibição do filme no Congresso, assim como a participação de João Vicente Goulart, é uma deliberação de reunião da Coordenação de sexta-feira da semana passada ao setor de Comunicação do Sindicato.

João Vicente Goulart respondeu que estaria em Santa Catarina em junho e indicou a possibilidade de adequar a agenda com visitas que faz a Içara e Criciúma juntamente com Derlei Catarina da Luca, do Coletivo Catarinense pela Memória, Verdade e Justiça.

O SINJUSC e o Coletivo promovem conjuntamente a sessão de cinema no Hotel Marambaia a partir das 19 horas do dia 7, sexta-feira. Gratuita, a sessão será aberta aos congressistas e outros interessados, até a lotação do auditório.

SERVIÇO

Sinopse do filme: João Goulart havia sido eleito democraticamente presidente do Brasil, mas foi expulso do cargo após o golpe de Estado de 1º de abril de 1964. Depois disso, Jango viveu exilado na Argentina, onde morreu em 1976.

As circunstâncias de sua morte no país vizinho não foram bem explicadas até hoje. Seu corpo foi enterrado imediatamente após a sua morte, aumentando as suspeitas de assassinato premeditado. Este documentário traz o assunto de volta à tona e tenta esclarecer publicamente alguns fatos obscuros da história do Brasil.

Duração: 1h42min
Diretor: Paulo Henrique Fontenelle (ele também dirigiu o filme Loki, Arnaldo Batista)
(Arte - Cartaz de divulgação do documentário Dossiê Jango) Fonte: SINJUSC por Rubens Lunge.

3 de maio de 2013

Lei da Mídia Democrática

Para construir um país mais democrático e desenvolvido precisamos avançar na garantia ao direito à comunicação para todos e todas. O que isso significa? Significa ampliar a liberdade de expressão, para termos mais diversidade e pluralidade na televisão e no rádio.

Ainda que a Constituição Federal proíba os oligopólios e os monopólios dos meios de comunicação, menos de dez famílias concentram empresas de jornais, revistas, rádios, TVs e sites de comunicação no país. Isso é um entrave para garantir a diversidade.

Pare e pense! Como o índio, o negro, as mulheres, os homossexuais, o povo do campo, as crianças, aparecem na televisão brasileira? Como os cidadãos das diversas regiões, com suas diferentes culturas, etnias e características são representados? A liberdade de expressão não deveria ser para todos e não apenas para os grupos que representam os interesses econômicos e sociais de uma elite dominante? Existem espaços para a produção e veiculação de conteúdos dos diversos segmentos da sociedade na mídia brasileira?

A concentração impede a circulação de ideias e pontos de vista diferentes. São anos de negação da pluralidade, décadas de imposição de comportamentos, de padrões de negação da diversidade do povo brasileiro.

Além disso, a lei que orienta o serviço de comunicação completou 50 anos e não atende ao objetivo de ampliar a liberdade de expressão, muito menos está em sintonia com os desafios atuais da convergência tecnológica.

A Constituição de 1988 traz diretrizes importantes nesse sentido, mas não diz como alcançá-las, o que deveria ser feito por leis. Infelizmente, até hoje não houve iniciativa para regulamentar a Constituição, nem do Congresso Nacional, nem do governo.

Diante desse cenário, entidades da sociedade civil e do movimento social se organizaram para encaminhar um Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações para regulamentar o que diz a Constituição em relação às rádios e televisões brasileiras. A marca de 1 milhão e trezentas mil assinaturas colocará o Projeto de Iniciativa Popular por Mídia Democrática em debate no Congresso Nacional!

Vamos mudar a história da comunicação brasileira levando às ruas o debate da democratização da comunicação.

Leia com atenção a proposta da sociedade civil que vai mudar o cenário das comunicações no país. Assine e divulgue aos seus familiares, amigos e até desconhecidos!

Nesta página você encontrará todo o material para divulgar a democratização da comunicação e também para coletar assinaturas para o projeto de lei. Panfleto, Formulário para coleta de assinaturas, o Projeto de Lei. Imprima, distribua e colete as assinaturas em seu Estado!

Boa luta para todos nós!

KIT COLETA

Todo cidadão/cidadã pode buscar voluntariamente as assinaturas para o projeto. Disponibilizamos abaixo um kit com o material necessário para o diálogo nas ruas.

- Folha de Rosto para coleta de assinaturas (Clique aqui)
Texto explicativo do documento para ser entregue juntamente com o Projeto de Lei de Iniciativa Popular.

- Lista para coleta de assinatura/Lista de apoiamento (Clique aqui)
Formulário para preenchimento dos dados do cidadão/cidadã que assinará o projeto.

Observação importante: sobre a “exigência” do título de eleitor

A exigência do título de eleitor feita pela Câmara dos Deputados para este tipo de projeto pode vir a dificultar a coleta. No entanto, acreditamos que é possível adotar uma política em que isto não seja um problema.

Ou seja, NINGUÉM SEM TÍTULO DE ELEITOR VAI DEIXAR DE ASSINAR.

Se a pessoa não tiver o título, pede-se o nome da mãe e a data de nascimento. O formulário já vai ter espaço pra isso.

Em último caso, se a pessoa estiver com pressa ou se não quiser preencher o nome da mãe, pode deixar em branco essa parte.

- Projeto de Lei da Comunicação Social Eletrônica (Clique aqui)
Texto completo do Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações

- Para onde encaminhar
Os formulários preenchidos deverão ser enviados por correio para o endereço:
Setor Comercial Sul, Quadra 6, Ed Presidente, sala 206

CEP 70327-900
Brasília – DF
Ao enviar os formulários, favor avisar a secretaria do FNDC por e-mail ( secretaria@fndc.org.br) ou pelo telefone (61) 3224 8038

MATERIAIS DE DIVULGAÇÃO

- Panfleto Lei da Mídia Democrática
Imprima em seu Estado, na sua cidade e espalhe a notícia!
(Frente: clique aqui)
(Verso: clique aqui)

- Banner/cartaz Lei da Mídia Democrática (Clique aqui)

2 de maio de 2013

Origem e significado do 1º de Maio.

Por Altamiro Borges do Blog do Miro
“Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”. Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Diário dos Trabalhadores.

“Se tenho que ser enforcado por professar minhas idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas idéias, estais muito enganados, pois elas são imortais''. Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.

“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”. George Engel, 50 anos, tipógrafo.

“Acreditais que quando nossos cadáveres tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado? Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso veredicto cairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”. Albert Parsons lutou na guerra da secessão nos EUA.

As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença do juiz condenando-os à morte. Elas estão na origem ao 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores. Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico e reverenciar a postura classista destes heróis do proletariado. A sua saga serve de referência aos que lutam pela superação da barbárie capitalista.

A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira. Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos.

Greve geral pela redução da jornada

Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as vibrantes Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas. Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, “sem distinção de sexo, ofício ou idade”'. A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 - maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA.

A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro “'Crônica do 1º de Maio”, mais de 5 mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução. Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas.

“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa

Mas a batalha não foi fácil. Em muitas locais, a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos “'Irmãos Pinkerton” ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas. O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou: “O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”.

A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos pólos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes. Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram feridos.

Os oito mártires de Chicago

Apesar da origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios. Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento - o jornalista Auguste Spies, do “'Diário dos Trabalhadores”', e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe - foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como “Os Oito Mártires de Chicago”.

O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. O seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial. O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas. Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller).

A maior farsa judicial dos EUA

Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua. Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”. No mesmo dia, os cinco “'Mártires de Chicago” foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto.

Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vitimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário.

Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”. A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista.