29 de janeiro de 2011

Clair Castilhos fala sobre o escândalo na Câmara de Florianópolis

A ex-vereadora de Florianópolis Clair Castilhos divulgou nota onde fala sobre a suposta compra de votos na eleição para a mesa diretora da Câmara de Vereadores da Capital.

Ex-Vereadora Clair Castilhos fala sobre o escândalo na Câmara de Florianópolis

Tenho acompanhado o caso da eleição da mesa da Câmara e quero manifestar o meu total apoio ao camarada vereador Ricardo. O que está acontecendo com ele não me surpreende, e gostaria de contar algumas coisas, pois para isso também serve a experiência de ter passado pela Câmara de Florianópolis, SUSP, e tantas outras coisas.

As acusações sobre compra e venda de votos, de corrupção, de tráfico de influência, depoimentos de testemunhas venais, dependentes e submissos a chefes e “padrinhos políticos”, trata-se de uma tática sórdida e conhecida que a direita costuma usar para nos nivelar a eles e desta forma anular e desgastar os argumentos de nosso discurso político.

Buscam destruir a nossa imagem pública para enfraquecer a eficácia de nossa prática. Como é fácil de entender trata-se de uma das instâncias da luta de classes com a tradicional truculência do anticomunismo que alimenta as elites predatórias e atrasadas que vicejam na velha Desterro.

Como, nos dias de hoje, não é “politicamente correto” ser preconceituoso, anticomunista, xenófobo, racista, homofóbico e misógino, entre outras “pérolas”, é necessário a máscara, o disfarce, a pantomima, as acusações e a calúnia para ornamentar o ódio de classes e torná-lo digerível pela sociedade.

Quando no início falei que a experiência de ter passado pela Câmara Municipal de Florianópolis (assim como o camarada João Ghizoni) serviria para exemplificar a situação atual lembro-lhes da absurda caçada moral e política que se transformou o episódio das votações e debates sobre alterações no Plano Diretor de Florianópolis em torno dos anos de 1990.

Tratava-se de um conjunto de propostas contendo graves violências ambientais e constitucionais enviadas à Câmara pela Prefeitura da época e às quais nos opusemos. Foi o famoso episódio dos “amigos de Florianópolis” (empresários do turismo, especuladores imobiliários, predadores das belezas naturais, leiloeiros de cada cm2 da Ilha) versus “os contras” (vereadores oriundos de partidos de esquerda, movimentos sociais, ecologistas, jovens, intelectuais e ativistas sociais).

Estes embates, e a ofensiva contra as forças mais comprometidas com a qualidade de vida de nossa cidade, resultaram no que vemos hoje: um paraíso da mediocridade, da especulação, da destruição cultural, artística e arquitetônica; o embaçamento da memória histórica; um crescimento asfixiante acompanhado da pior mobilidade urbana da história de nosso município.

Um reino encantado de Ex-BBBs, de jogadores de futebol famosos, de colunistas de quinta, “penas e bocas alugadas”, elevados à condição de celebridades que orientam modelos de comportamento. A isto eles denominam progresso! A isto dão o apelido de modernidade! A isso chamam turismo de primeiro mundo...

Pois bem, o temor dessa gente é que o resultado político e eleitoral que o PCdoB vem obtendo no município se transforme numa possibilidade real de disputar a eleição para a Prefeitura de Florianópolis com sucesso. Portanto, desde o início da questão da mesa da Câmara pensei (o que hoje se confirma) que o destino de tais acusações era a Deputada Angela Albino sendo o Vereador Ricardo uma espécie de ponte para o alvo preferencial.

Não podemos esquecer o papel da então vereadora no escândalo da moeda verde e o ódio visceral do Prefeito Dário Berger pela nossa camarada. Não por acaso, foi ele quem fez a acusação que o dinheiro era para pagar dívidas de campanha da Deputada .

Camaradas, não sejamos ingênuos, esta farsa é apenas uma amostra do que nos espera no contexto da política burguesa. Precisamos nos preparar e enfrentar essas disputas com ações e atitudes. Denunciemos ao povo e à sociedade essa manobra imunda contra o nosso vereador.


Para concluir quero citar Brecht:
“Dos tubarões fugi eu
Os tigres matei-os eu
Devorado fui eu
Pelos percevejos.”

Haveremos de vencer, venceremos!! (João Amazonas).
SAUDAÇÕES COMUNISTAS,


Clair Castilhos

É farmacêutica bioquímica, mestre em saúde pública, professora da Universidade Federal de Santa Catarina e Conselheira Nacional de Saúde. Também é membro do Conselho Diretor da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos e membro do Comitê Acadêmico da Universidad Itinerante da Rede de Saúde da Mulher Latino Americana e do Caribe. Clair Castilhos também foi vereadora em Florianópolis de 1983 a 1992, cuja experiência ela relata de forma suscinta no texto acima. Uma mulher que merece toda a consideração nas suas posições

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