3 de março de 2010

8 km/h

Depois de pegar a criança na escola, seis da tarde foi pela Mauro Ramos, passou pelo Tribunal de Justiça e seguiu em direção ao funil de carros na boca da Colombo Sales. Estacionado no meio da ponte, o relógio havia percorrido meia lua, lembrou do Raul e cantou: ...você tem dois pés para cruzar a ponte... Quis descer do carro. Mais a frente uma dúvida. Seguir pela via expressa ou pela Ivo Silveira. Foi. Lá embaixo outra encruzilhada. Continuar pela Via Expressa ou pegar a Presidente Kennedy? No meio da avenida com o nome do ex-presidente americano pensou: porque batizar as ruas com nomes de pessoas? Se os homenageados soubesse o caos que é circular por elas declinariam da honraria. No banco de trás a criança reclamou. Por que tão devagar? É que chove. Tinha ouvido na segunda anterior, ha nove dias, que as seguidas trovoadas provocaram o alagamento da marginal da BR 101, bem na frente do Almoxarifado do Tribunal de Justiça. Soube que tudo ia com a barriga e uma solução tardaria. Estranhou. Na frente de um setor do Tribunal de Justiça? Então se lembro da lentidão com que a deusa vendada dava solução às coisas. Quem deveria manter rodovia tinha se esgueirado da responsabilidade de limpar o lugar. Chutaram a bola pro órgão do governo e este por sua vez, tirando o corpo fora, devolvido a posse de bola para a concessionária. Pensou que devia fazer algo, que podia fazer algo, mas de dentro do carro, como todos os outros, apenas xingou. Seguiu o caminho e perto de casa percebeu eu havia rodado 16km no mesmo tempo em que o relógio havia dado duas voltas. Abrindo a porta, a mulher lhe perguntou sobre o atraso, o pequeno lhe sorriu e tudo ficou bem.

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