22 de agosto de 2013

Dissimulados crimes políticos

Reproduzo artigo da colega Liliane Araújo, sobre os fatos recentes ocorridos na cidade de Chapecó.

Por Liliane Araújo - Nos anos 80, um bispo ligado às causas do povo recebia ameaças de morte por seu envolvimento com o movimento dos sem terra.

O cenário era uma cidade linda, com fama de terra sem lei desde o episódio da queima da igreja e do linchamento dos supostos culpados, muitos anos antes.

O homem era Dom José Gomes. 

Nossa Chapecó linda ainda luta para se livrar da triste fama, mas fatos como estes somados aos anos de administrações conservadoras e coronelísticas ainda nos apertam a garganta.

Há alguns poucos anos um vereador da cidade apareceu morto dentro de sua própria casa, nem cenário de suicídio absolutamente risível.

Ainda assim temos de conviver até hoje com os tais trâmites legais do nosso Estado Democrático de Direito, e travamos na justiça uma batalha para evitarmos um novo assassinato de Marcelino. 

Digo novo assassinato, pq é isso que acontece quando alguém que vive pela política e luta pelo povo, denuncia falcatruas, não tem reconhecido os motivos da agressão que sofreu ou sequer o fato de ter sido agredido: agride-se novamente. Mata-se mais uma vez. 

Toda a violência é pavorosa, mas um crime político é mais que pavoroso, é mais que aterrador. Um crime político não é cometido apenas contra aquela pessoa, é cometido contra toda uma nação.

No caso do Brasil, muito sangue foi derramado em defesa da liberdade e da democracia e para honrar este sangue o que melhor podemos fazer é, no mínimo, reconhecer a natureza dele, sua origem.

Crimes políticos ou de preconceito infelizmente, muitas vezes acabam sendo dissimulados.

Ninguém morre pq é negro, morre pq é ladrãozinho.

Ninguém morre pq é gay, morre pq estava me provocando e sendo indecente.

Mulher não é estuprada pq é mulher, é violentada pq gosta, pq é vadia e dá mole. 

Alguém de (boa) atuação política, defensor das causas do povo, não morre ou é agredido pq incomoda, pq denuncia, pra servir de exemplo ou de recado, morre pq "era enrolado com umas coisas aí".

Percebem que fácil esta armadilha? Percebem o grande crime que se comete quando se tira dessas pessoas seu maior legado? 

O mais dolorido é que este assassinato, esta agressão é cometida por nós, gente do bem, gente que genuinamente quer justiça, mas que se perde. Perde o foco. E aí, não sobra muito.

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